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Quem lê procura o quê?

Quem lê procura o quê? Uma janela para o outro, de certo modo; espreitar para dentro da cabeça do outro, entrar nela um pouco, perceber até que ponto nos reconhecemos (ou não) no que o outro pensa ou diz. Há algo de voyeurista neste jogo, mas é um voyeurismo que de certo modo é até reivindicado, mesmo procurado, por quem escreve; quem escreve abre-se ao outro, quer como experiência desapaixonada (como reagirá o outro a mim?) quer como ambição, mesmo necessidade de reconhecimento. Uma espécie de ensaio de socialização, um tactear da validade da nossa máscara face ao mundo que nos rodeia.

Mas quem escreve procura também deixar um rasto da sua passagem, um pouco de si, sem outras intenções que não desabafar, soltar o que lhe vai na alma. Mas eu prefiro pensar nele como um "blog de notas" diário onde se vão deixando pequenos berlindes, marcadores para sabermos onde estamos na vida que quase sempre procuramos organizar como se fosse uma narração.

Ontem estive assim! Que preguiça...

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A preguiça é a mãe do progresso. Se o homem não tivesse preguiça de caminhar, não teria inventado a roda. Ehehe =P

Moments...

Ontem à noite, não fiz mais nada a não ser pensar. nos escassos momentos em que me consegui desligar do óbvio-not-so-obvious cheguei a algumas conclusões de extrema importância para a minha humanidadezinha, mas que não interessam nem ao menino jesus! Ainda assim, houve uma que me deu mais que pensar... sempre achei que há uma música para cada ocasião, para cada pessoa, para cada estado de espírito... sempre tive sons para as chamadas emergências, letras que traduzem na perfeição o que sinto no momento e que põem preto no branco o que na altura não consigo admitir nem a mim mesma, melodias que me fazem sorrir a qualquer custo. Tudo isto é verdade. Mas apenas para o bem. Quando me decreto em estado de emergência nem sequer sou capaz de escolher um disco para ouvir, quanto mais uma música uma que me faça sentir melhor... confirmei ontem a regra. Cheguei à conclusão que a agitação mental é de tal ordem que mesmo que ponha um disco a tocar nem sequer o oiço. O barulho é muito. E o silêncio acaba por ser o melhor remédio. Não me incomoda, nem dou por ele. Aquela sensação de que há músicas que têm o poder de nos fazer reagir no matter what, é um false friend. Já desisti de a querer pôr em prática à força. É que para além de eu não ficar a sentir-me melhor, acabo por estragar a música... cada vez que a ouvir mais tarde, vou associá-la sempre à crise de ontem, anteontem, ou a outra qualquer. E não quero isso. it's no good.

Fiquei mesmo sensibilizada com o filme que deu ontem na RTP!

O tráfico de mulheres e crianças é uma forma moderna de escravatura. Todos os anos milhares de mulheres e crianças são levadas de um país para o outro, frequentemente da Europa de Leste para a Ocidental, como parte de comércio de seres humanos.
Embora o principal objectivo deste comércio seja a exploração sexual, serve ainda como fonte de trabalho ilegal. O tráfico representa uma forma agravada de violência sexualizada que é incompatível com o princípio da igualdade entre os sexos. As mulheres e as crianças atingidas pela pobreza são particularmente vulnerareis aos traficantes, quem têm como motivação o lucro e em muitos casos, estão envolvidos em crime organizado. O tráfico de seres humanos é uma forma grave de crime organizado e constitui uma grave violação dos direitos humanos.

Uma imagem diz tudo!

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...

Quero-te mais,
Do que julgas ser possível.
Quero-te muito mais.
Sinto-te na Alma,
A todo o instante, afogando-me...
Quero-te em formas
Que não inventas, que ninguém vê.
Quero-te,
com o saber de quem sabe sonhar.
Eu Sonho-te!
Sonho-te,
Como nunca ninguém Te Sonhou

Desejos...

É a história da nossa vida: aquilo que queremos esfuma-se quando o atingimos. No exacto momento em que o caminho está feito e não é possível voltar para trás. O que nos levou lá pode ter sido a ambição, a fuga em frente, a boa intenção. Mas, quantas vezes, não é o desejo a real motivação? O desejo carnal, puro e simples, a vontade de conquistar mesmo que apenas para provar a nós mesmos que somos capazes? E, uma vez ganha a batalha, nos desinteressamos do troféu ganho a tanto custo e procuramos a próxima meta, na insatisfação permanente de animais que pensam que não o são?

E se esse desejo fosse apenas instinto; se o desejo fosse apenas mais uma palavra que inventámos para mascarar a urgência de nos completarmos, de não estarmos sozinhos, nem que apenas por um breve instante, fora das inevitáveis consequências?

Não abandones ...

Lindo!

O tempo

O tempo tem aquele feitio curioso de passar mais devagar quando queremos que ele passe mais depressa. E essa velocidade subjectiva é tanto mais relevante quanto mais sozinhos ou mais distraídos estamos. Por vezes, essa distracção pode consistir em nada mais do que olhar pela janela, procurando descobrir padrões na observação desapaixonada das idas e vindas do quotidiano, dos carros que param e arrancam nos semáforos, das pessoas que atravessam a rua, a praça, que param a levantar dinheiro no multibanco ou a observar uma montra mais ou menos vistosa. Mas, mais tarde ou mais cedo, consoante a subjectividade do momento, voltamos a estar sozinhos connosco próprios no que, no fundo, nos é um lugar estranho. E um lugar será sempre tanto mais estranho quanto mais sozinhos estivermos.